Com novo selo, Londrina abandona café para abraçar tecnologia

Nova marca, lançada ontem, representa uma série de ações para impulsionar o setor de TI. Projeto de lei prevê porto digital

 

“Londrina, Cidade Genial”. Esta é a nova marca que a Prefeitura e entidades locais criaram para identificar Londrina como um centro de Tecnologia da Informação (TI). A iniciativa, que também contempla um projeto de lei para o setor, foi apresentada ontem no gabinete do prefeito Alexandre Kireeff (PSD).

Durante muitos anos, Londrina foi conhecida como a Capital Mundial do Café, mas as características da cidade mudaram e agora, prestes a completar 80 anos, o Município viu a necessidade de estabelecer uma nova identidade. Para isso, apostou em dois pilares bastante fortes na cidade: conhecimento e tecnologia.

A escolha do novo conceito foi pautado por um conjunto de fatores, como tamanho e importância da indústria de TI, que possui 1,2 mil empresas na região e gera aproximadamente 14 mil empregos diretos; a presença de 14 universidades e 19 escolas técnicas; o fato de a cidade ter um Arranjo Produtivo Local (APL) entre os mais ativos do país; ter também uma companhia de telefonia e telecomunicações local; ter sido escolhida para sediar o Instituto Senai de Tecnologia voltado exclusivamente para a área de TI; entre outros.

Para Gabriel Henriquez, presidente do APL de Tecnologia de Informação em Londrina e Região, a identidade é um ponto de partida para uma nova história. “Se a gente tinha uma boa história do café para contar, a gente cria uma nova história agora. Limpa, sem pedágios, sem a necessidade de portos.”

“O cenário já nos é favorável pela quantidade de instituições de ensino superior. A própria Sercomtel é destaque como provedora de serviços de comunicação, de dados e, agora, de energia elétrica. Temos o ISS Tecnológico e outros marcos regulatórios que nós estamos desenvolvendo para tornar cada vez mais atrativo o caminho para empresas deste setor”, afirmou o prefeito Alexandre Kireeff (PSD).

Porto digital

Durante o evento, Kireff recebeu o texto do projeto de lei da Inovação, elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), após iniciativa de entidades como a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e o Arranjo Produtivo Local (APL) de TI.

Segundo o presidente da Codel, Bruno Veronesi, a iniciativa deve aproximar os dois setores. “A gente percebe que o pessoal de TI é muito unido entre eles. O apoio do poder público era dado de uma forma muito incipiente, até mesmo marginal”, avaliou.

Um dos exemplos citados por Veronesi para exemplificar essa falta de comunicação direta é o fato de existir empresas em Londrina que desenvolvem programas de computador voltados para a gestão pública, mas que não prestam serviços para a Prefeitura. Essa integração já havia sido discutida no início do mês durante a rodada regional do Congresso Paranaense de Cidades Digitais. Na época, foram apresentadas ideias como a marcação de consultas nas Unidades Básicas de Saúde pela internet.

Entre as mudanças propostas pela lei, que ainda deve ser apresentada por Kireeff à Câmara de Vereadores, está a criação de um Porto Digital, nos moldes do que já foi feito em Recife (PE). “Eles escolheram uma região que estava muito degradada e deram incentivos às indústrias de TI para se instalarem naquele local”, explicou o vereador Fábio André Testa (PPS), líder do prefeito na Câmara. O local ainda não foi determinado.

Certificação digital

Outro dado que reforça a nova estratégia, são os números de emissão de certificação digital. De todas as empresas certificadas no Paraná, metade delas estão instaladas em Londrina. A certificação é o meio encontrado pelas empresas para garantir a autenticidade de documentos enviados pela internet. Chaves de criptografia e embaralhamento de dados são os substitutos do carimbo e da assinatura feita a caneta. Empresas como bancos, por exemplo, utilizam certificação digital para que os clientes tenham certeza de que estão em ambiente seguro enquanto fazem transações eletrônicas.

Para o presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Bruno Veronese, os números impressionam. “É uma realidade que nós mesmos desconhecíamos”, disse.

Fonte: http://www.agilizarecebiveis.com.br/Informativo/348/com-novo-selo-londrina-abandona-cafe-para-abracar-tecnologia